d.i.g.i.t.a.l




Vamos ter de engolir um modelo de RÁDIO DIGITAL?


Está claro, para mim, que a grande maioria da população brasileira não tem a mínima idéia do que é, e mesmo, do que representa a chegada da TV digital ao país. Basta observar “a frota de formigas cortadeiras” que atacam os estudantes de comunicação – público supostamente interessado – quando falo disso em sala de aula. Apesar da insistência com que venho tratando do tema em nossas discussões, é difícil para eles, e para mim também, imaginar como as proclamadas mudanças e a dita interatividade podem mudar as práticas de comunicação até então consolidadas no contexto brasileiro.

Agora, se para os futuros jornalistas já é difícil vislumbrar uma nova apropriação do formato televisão, imagine como esse processo está se concretizando junto ao telespectador comum, que tem um número restrito de informações e a maioria delas desencontradas. O resultado é que os discursos que circulam entre eles, de um modo geral, trabalham com a limitada noção de que a única mudança advinda desta modalidade de transporte de informações é o aumento da qualidade de som e imagem. Como se isso fosse realmente o mais importante.

Entretanto, a pior notícia ainda está por vir: apesar do cenário de pouca informação e da ignorância a que o público geral foi submetido (mesmo sem perceber), os acordos e a escolha do padrão que vai entrar em vigor no Brasil, até 2013, já foram feitos (sem nem sequer uma consulta popular, uma campanha de esclarecimento. Nada! Nada!). Hoje, no que diz respeito a TV Digital, somos japoneses, você sabia? O primeiro round terminou.


Agora passamos a segunda etapa, que para mim interessa sobremaneira, pois se trata do RÁDIO DIGITAL. O processo iniciou há dois anos e desde lá observamos a preferência do governo federal pelo modelo IBOC (in-band on-channel), norte-americano. Alguns testes já foram feitos e a perspectiva é que o acordo seja firmado por volta de março do ano que vem. O problema é que tais testes estão “sendo realizados pelas emissoras autorizadas sem a utilização de uma metodologia ou padronização de critérios e procedimentos compatíveis com as condições brasileiras”, revelando uma série de inadequações entre o modelo escolhido e a nossa realidade. Preocupados com essa situação um grupo de 72 professores e pesquisadores de rádio no Brasil se reuniu, em agosto deste ano, e elaborou uma carta pública, explicitando sua opinião. Veja o documento, na íntegra, aqui.

Será que seremos ouvidos? As primeiras repercussões incluem o agendamento de uma reunião com o Ministério das Comunicações. Hélio Costa em discurso feito no estado de Minas Gerais disse que antes de escrever este documento deveríamos tê-lo procurado (risos) Como se, de fato, ele fosse nos receber antes disso.

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2 comentários:

Vera disse...

O rádio digital será mesmo implantado no país, não há mais como recuar. Entretanto, a questão, embora seja discutida pelo NP Mídia Sonora e outros poucos que se interessam pela área, tem ficado muito distante da sociedade. As decisões que serão tomadas e a escolha provavelmente pelo IBOC não deverá tardar, embora o tempo de espera para que esse sistema seja de fato implantado ainda seja longo e caro, sem muitas alternativas para quem não puder pagar a licença, como é o caso das emissoras comunitárias. Essa tecnologia será para poucos, por muito tempo!

Fábio Rockenbach disse...

Não apenas rádios comunitárias estão na linha de tiro, não é preciso ir longe.... as principais rádios da maioria das cidades do interior estão no bolo das prejudicadas. Interessante mesmo é uma rápida análise, no site da empresa responsável, dos países onde estão sendo feitos tais testes... a "listinha" diz tudo.

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    "ao reescrever o que dissemos, protegemo-nos, vigiamo-nos, riscamos as nossas parvoíces, as nossas suficiências (ou insuficiências), as hesitações, as ignorâncias, as complacências; [...] a palavra é perigosa porque é imediata e não volta atrás; já a scriptação tem tempo à sua frente, tem esse tempo próprio que é necessário para a língua dar sete voltas na boca; ao escrever o que dissemos perdemos (ou guardamos) tudo o que separa a histeria da paranóia" (BARTHES, 1981, p.10).

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Sou formada em Radialismo e Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e desde 2004 atuo como professora dos cursos de Comunicação Social na mesma instituição. Ainda na UPF, fiz especialização em Leitura e Animação Cultural, e recentemente concluí o doutorado pela PUCRS. Sempre trabalhei com o universo radiofônico, pelo qual sou apaixonada. Gosto particularmente das suas aproximações com a arte. Minhas últimas descobertas de pesquisa rondam em torno da produção de sentido (em nível verbal e não-verbal) sob a perspectiva semiológica.

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O título deste blog foi inspirado nas observações feitas por Roland Barthes a cerca do processo de produção e significação dos textos que circulam pela prática social. Ele fala em scriptação, escrita, escritor e escrevente. No entanto, o nome scriptografias e outras escrivinhações, não passa de uma "licença" poética, por assim dizer, com o objetivo de nominar um espaço de livre expressão, em formatos e temas que fazem parte do meu cotidiano, assim como do cotidiano de quem por aqui passar.
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