livros, livros, livros - o que dizem sobre você?

Quarta-feira, dia 03 de junho de 2009.
Postado por Bibiana de Paula Friderichs às 18:50.


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Na época em que trabalhei no Centro de Referência de Literatura e Multimeios da Universidade de Passo Fundo, carinhosamente chamado por seus usuários de Mundo da Leitura, descobri um contentamento inusitado diante dos livros ditos infantis. Aprendi a olhá-los com seriedade e respeito, a significar suas falas e a representatividade delas para a infância, e, sobretudo, sua transversalidade com o universo adulto. Percorrendo as paredes daquele labirinto, colorido e luminoso, que transcende as estantes e o escorregador do ciberespaço, cai nos caminhos polissêmicos, e sem fim, que todo texto oferece. Depois disso, passei a acreditar que os livros não têm idade, e nem uma dessas outras amarras que gostamos de usar para classificar as coisas e guardá-las nesta ou naquela gaveta (como fazemos com as áreas, as disciplinas e a ciência de um modo geral). Os livros de literatura estão simplesmente, e para sempre, numa caixa de brinquedos, vasta e bagunçada.
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Para mim, à margem das classificações impressas da página dois de cada livro, estão os leitores, suas experiências de leitura, suas curiosidades e sua disponibilidade para ler. Um livro, então, é feito para qualquer leitor que queira lê-lo e crie com ele um elo de afeto e de identidade.
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O que importa se eu tiver quase trinta anos e o livro, apontar através da ficha catalográfica, que se trata de uma literatura “infantil”?
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O que importa se ele for apenas de imagens ou que conte a história de um homem que amava construir castelos de caixas?
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Sem essa de leitor ideal!
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Por isso, de vez em quando me pego comprando alguns livros “estranhos” sobre monstros alienígenas, porcos com rabinhos de mola, e flores gigantes! As moças da livraria e os outros adultos que me perdoem: não preciso e não quero inventar desculpas para isso!

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2 comentários:

Gi disse...

que delícia de texto de blog sem idade classificada...
me fez lembrar quando trabalhei na biblioteca do Instituto Menino Deus, em Passo Fundo, e nunca conseguia deixar com cara de organizada a estante infantil.
Porque os livros ou eram muito finos, ou redondos, ou de páginas duras do lado dos molengos...
e...
Biba...
era assim que tinha que ser aquela estante mesmo... cada Instante, uma Estante expontânea.
...
Sem classificação e sem linhas retas e perfeitas.

"Inquieta" disse...

vou colocar no lixo meu balzac novinho

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    "ao reescrever o que dissemos, protegemo-nos, vigiamo-nos, riscamos as nossas parvoíces, as nossas suficiências (ou insuficiências), as hesitações, as ignorâncias, as complacências; [...] a palavra é perigosa porque é imediata e não volta atrás; já a scriptação tem tempo à sua frente, tem esse tempo próprio que é necessário para a língua dar sete voltas na boca; ao escrever o que dissemos perdemos (ou guardamos) tudo o que separa a histeria da paranóia" (BARTHES, 1981, p.10).

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quem é a garota da vitrine?

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Sou formada em Radialismo e Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e desde 2004 atuo como professora dos cursos de Comunicação Social na mesma instituição. Ainda na UPF, fiz especialização em Leitura e Animação Cultural, e recentemente concluí o doutorado pela PUCRS. Sempre trabalhei com o universo radiofônico, pelo qual sou apaixonada. Gosto particularmente das suas aproximações com a arte. Minhas últimas descobertas de pesquisa rondam em torno da produção de sentido (em nível verbal e não-verbal) sob a perspectiva semiológica.

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pelo caminho...

lendo... só lendo e imaginando uma história da nossa suposta história...

Eu, robô de Isaac Asimov

de Brenda Rickman Vantrease sobre os poderes que se interdizem desde o início dos tempos.

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o que são scriptografias e outras escrivinhações?

O título deste blog foi inspirado nas observações feitas por Roland Barthes a cerca do processo de produção e significação dos textos que circulam pela prática social. Ele fala em scriptação, escrita, escritor e escrevente. No entanto, o nome scriptografias e outras escrivinhações, não passa de uma "licença" poética, por assim dizer, com o objetivo de nominar um espaço de livre expressão, em formatos e temas que fazem parte do meu cotidiano, assim como do cotidiano de quem por aqui passar.
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